15 setembro 2020

Projeto Grupo Musical Pé de Vento

"No Clube 29 de junho, nós desenvolvíamos um projeto de cultura alternativa, e o responsável pelo espaço era o ator e escritor Odir Ramos. Lembro que fizemos uma reunião com ele e o pessoal do Duo Assad, violonistas excepcionais do bairro de Campo Grande - RJ, bem conhecidos, que acabaram me indicando para assumir a programação cultural, sob a supervisão do Sr Odir Ramos. Tivemos muitas atividades, muitas produções neste local. Lembro também do hoje Diretor Teatral Sidney cruz, com o pessoal do "Bate com Força no Bumbo", muitos poetas, muita música. Paralelo ao final da rua, ficava o Cineclube Paulo Pontes no Colégio de Freiras, que passava alguns curtas e alguns filmes censurados. Ali também ocorreu uma apresentação do Grupo Musical Pé de Vento.

Clube 29 de junho

Gostaria de destacar a importância do Jessé Costa e de Victor S. Gomez, que na época, de forma pioneira, já manifestavam a preocupação com as memórias daquilo que se produzia culturalmente, e que apesar de todas as dificuldades, sejam financeiras ou políticas, sempre documentavam os eventos e encontros do grupo Pé de Vento." Ronaldo Rodrigues RRJuca

na casa do Valdir de Holanda no Rio da Prata, Campo Grande RJ.

"O grupo de Pé de Vento não tinha o mesmo carisma dos Novos Baianos, mas também eram novos, não eram tão conhecidos como o Asdrúbal trouxe o Trombone, mas viveram os mesmos anos de chumbo que eles. Sob o manto da mais cruel das ditaduras, Médici e Geisel, correndo os mesmo perigos que seu irmão de artes, o Grupo Garra Suburbana, o Pé de Vento rodopiou pela Zona Oeste, Zona Norte, Zona Sul e pelas Faculdades que vez por outras abriam suas portas para ele. Inovando sempre graças as noites em claro, regadas a vinho e cachaça coquinho, o grupo bailou por tantos cineclubes, colégios, teatros do subúrbio, palcos de universidades, e qual bailarino tantas foram as vezes que parou na cachoeira do Rio da Prata em Campo Grande - RJ e na rua da Margaridas em Vila Valqueire. Parou não, porque ele não parava, tocavam, cantavam e pelo percurso surgiam novos componentes, fãs, agregados, simpatizantes, até estacionar na Sombra da Goiabeira no subúrbio do Rio de Janeiro, lar temporário de trabalhadores, artesãos, músicos, poetas, atores, militantes, que viviam o sonho de acreditar que mudariam o mundo, ou pelo menos nosso sofrido país. Canções como Vila Alzira, Pé de Vento, e outras que nem lembro o nome, com versos como: "levo no velho embornal, farinha jabá e poesia", todas surgidas em noites de grandes fogueiras, se encaixavam e nossas vidas, e as transformaram,em pessoas que somos hoje verdadeiros lutadores, que mesmo quando caem, buscam forças e se levantam, encarando novamente as dores do mundo e nunca deixando de acreditar que tudo pode ser melhor, e se depender de nós e dos amigos que já se foram tudo vai mudar mesmo. Nós acreditávamos na força dos que trabalham e continuamos a acreditar." Victor S. Gomez

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