17 junho 2019

Entrevista com o Escritor Carlos Bruno S. Barbosa - Por Victor S. Gomez

Novos e Grandes Talentos de Valença: 

Independente de onde nasça, a alma do artista está onde ele a deposita, onde ele deposita seu amor.

Quando leio algo escrito pelo amigo Carlos Brunno, eu o vejo em cada frase sua, é como se o que ele escreve fosse um pedaço dele mesmo, parte do seu corpo cortado e exposto, como se fosse possível que o amor ao que ele faz pudesse ser visível para todos.


O professor é um exemplo para seus alunos, uma extensão da sua família, ambos vivem em um mesmo mundo, mas tem seus próprios universos particulares, podendo assim trocarem suas experiências, aprendendo e ensinando um ao outro.

Ao encontrar o amigo Carlos Brunno S. Barbosa a primeira coisa que vejo é o seu sorriso, uma pessoa simples, de bem com a vida, um mestre que não se apresenta como tal, mas que se apresenta como uma pessoa comum, com deve ser, feliz não por ser um escritor premiado, mas por estar ao lado de amigos, que mesmo não querendo podem se tornar um de seus personagens, vivos para sempre em seus escritos, ou em seu coração.


1-Qual sua formação e quais trabalhos você desenvolve atualmente?
Minha formação é Letras (Português-Literatura) e, como professor atualmente na rede pública de ensino municipal de Teresópolis/RJ, desenvolvo trabalhos de produção Textual e Oficinas de Língua Portuguesa com talentosos escritores-alunos da Escola Municipal Alcino Francisco da Silva, na região rural do município serrano onde leciono. Além disso, como escritor e 'artistativista' cultural, organizo esporadicamente o Sarau Solidões Coletivas, sou criador-autor do blog "Diários de Solidões Coletivas" (https://diariosdesolidao.blogspot.com/) e participo de diversos saraus, eventos culturais e concursos literários com textos meus, sempre representando a arte valenciana (nasci em Barra do Piraí/RJ, resido em Teresópolis/RJ, mas meu despertar pra poesia, pra arte escrita foi na Princesinha da Serra, minha cidade afetiva, logo considero-me um autor valenciano). 

2-Como escritor qual a importância do incentivo à leitura para você?
É a leitura (ativa, ou seja, com a qual você interaje com o texto lido, não apenas passivamente, mas adentrando no universo escrito, influenciando-se criticamente, interfirindo e reescrevendo/criando algo novo a partir das obras lidas) que fornece a base para a construção do conhecimento pleno do seu eu criativo e do seu eu diante dos demais eus - lembrando Lima Barreto. em "O destino da literatura", a leitura nos humaniza, nos faz entrar no universo do outro a partir do nosso, passamos a sentir o que os personagens e eus líricos sentem, tornamo-nos mais conectados com o universo a nosso redor e, consequentemente, com nós mesmos e com o nosso estar com nossos outros; a leitura nos ensina a nos solidarizarmos conosco, com o outro e com o amor ao coletivo, ao infinito conhecimento.


3-Qual a relação de você com seus alunos? Você é um exemplo para eles. O que você acha disso?
Seria mais uma relação minha com eles, sem nomeação do tipo "alunos". ou seja, eu aprendo com eles e eles aprendem comigo. Uso o exemplo da experiência artística, as minhas conquistas, para demonstrar o quão longe eles também podem ir (vários 'artistalunos' já conquistaram grandes classificações em concursos literários, nos quais os inscrevi). Mais que ser um exemplo pra eles, quero-os como exemplos pra mim e pro mundo, penso neles como um legado, eles são a continuação, a manutenção do infinito da arte e a resistência da busca por mais conhecimento, atividades tão desconsideradas nessas época de extremismo, incompreensão e ignorância coletiva.  

4-Há quanto tempo você participa do projeto Sarau Solidões Coletivas?
Oficialmente, com esse nome firmado, no dia 21 de abril deste ano, o projeto fez 7 anos (existe desde 2012), idealizado por mim.


5-Como surgiu a ideia de criar o Sarau Solidões Coletivas?
Há, em Valença/RJ, um celeiro infinito de talentosos 'artistamigos' ligados ao underground, à contracultura, e sempre houve, na cidade, as 'jams' naturais, ou seja, a união (e reunião) desses artistamigos em projetos coletivos que ocorriam naturalmente e informalmente numa roda de amigos nas praças, em casas particulares e até mais formalmente em encontros incidentais (sem necessidade de ensaio prévio) em eventos culturais esporádicos. Inicialmente, o Sarau Solidões Coletivas propôs oficializar esses encontros entre diversas manifestações artísticas e variados estilos, atividade que eu já realizava em eventos de lançamento e de divulgação de meus livros - o que fiz foi apenas desvincular o movimento à necessidade de se estar lançando/divulgando um livro novo, provocar mais as 'jams' artísticas naturais e tornar o encontro para a arte contracultural coletiva mais frequente e com maior evidência. 

6-Você é um escritor premiado que leva o nome de Valença pra todos os cantos do Brasil. Quantas e quais foram suas premiações?
Ih, quantas eu não sei de cabeça não e nem me preocupo em contabilizar de forma muito exata; são mais de 50 (devo estar chegando a 70, 80 premiações) - começaram desde quando eu era 'artistaluno' do Colégio Estadual Theodorico Fonseca (na época, 1995 pra ser mais exato, ganhei menção honrosa no V Concurso Literário Biblioteca Nacional Euclides da Cunha - Tema Miséria e Fome: Qual a solução?; agradecimentos especiais às 'fessoras-artífices líricas' Ieda e Selma), passando por finalista no Premio Internazionale Il Convivio, na Itália, com meu terceiro livro "Note or not ser", vencedor do Prêmio Olho Vivo 2017 categoria Livro com "Foda-se & Outras Palavras Poéticas", em Volta Redonda/RJ, a premiações regionais, estaduais, nacionais e internacionais em Resende/RJ, Barra do Piraí/RJ, Barra Mansa/RJ, Volta Redonda/RJ, Rio de Janeiro/RJ, Niterói/RJ, São Pedro da Aldeia/RJ, Vassouras/RJ, Petrópolis/RJ, Ponta Grossa/PR, Porto Alegre/RS, Roque Gonzales/RS, Curitiba/PR, Maringá/PR, Londrina/PR, São Paulo/SP, Osasco/SP, Taubaté/SP, Tupã/SP, Piracicaba/SP, Santos/SP, São João da Boavista/SP, Belo Horizonte/MG, São Luís/MA, etc... Sinceramente, não sou de ficar contando premiações e/ou vantagem; só penso assim: 'ah, mais um poema-conto-crônica-vídeopoema-filho alçou voo', fico admirando a sua trajetória lírica prodigiosa, desejo sempre ir mais além e sinto-me orgulhoso por levar o nome da cidade-poesia viva Valença/RJ a tantos lugares diferentes.

Passo a passo de como criar uma ONG