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26 março 2019

Literatura - No Vale dos Tambores

Pensamentos que Penso ser Poesia

Não me considero um poeta, mas algumas coisas que escrevo soam com poesia, são apenas pensamentos poéticos. Algo que de tanto explodir dentro de mim, abriu um buraco e conseguiu sair, indo parar em um pedaço de papel. Textos saídos da alma, de lugares esquecidos da mente, pedaços do meu coração jogado na tela de um computador. Pensei em chamar isso de: Pensamentos que Penso ser Poesia.


No Vale dos Tambores
Victor S. Gomez - Escritor

No Vale dos Tambores

Nas muitas vezes que passei por esse lugar,
eu me via amarrado naquele mesmo tronco,
ele tinha uma cor vermelho marrom,
que se misturava com sua casca.
Também vejo os mesmos rostos de pessoas más,
com um sorriso irônico em suas faces.
É sempre assim,
como um sonho que se repete eternamente,
eu ali amarrado naquele tronco,
impotente,
com minhas costas retalhadas,
uma dor insuportável,
que só não me mata porque minha força em viver é muito maior.
Minha pele é dura,
ressecada pelo sol, 
mas não aguenta,
e aos poucos se abre.
E o rostos sombrios sorriem,
se entreolham,
e falam:
Bata mais.
Então o chicote assobia antes de estalar,
e risca minhas costas qual raio na noite negra.
Um dia será possível não me ver mais aqui?
Será possível não ter esse pesadelo nunca mais?
Mas tudo me parece tão real.
Ao fundo os tambores ressoam,
não estão festejando,
estão chorando,
eu percebo isso, 
e em meio a dor que me sufoca,
entendo que estou preso a uma eternidade cruel.
Desolação,
é o que sinto,
desolação sempre a mesma desolação,
que me abate,
mas não me mata.
Queria tanto sair desse lugar,
não ver mais esse rostos,
não ouvir mais o açoite que sibila.
Nem sentir mais o cheiro do ferro presente nesse tronco.
Deus,
que crueldade,
tenha piedade,
me tire daqui.
Desolação é o que vejo,
desolação é o que sinto.
E isso todo dia se repete,
infindável é a dor,
até eu desmaiar.
E no outro dia começa tudo de novo,
Até quando?

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