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08 janeiro 2011

Literatura: Manoel de Barros

Inspirado numa postagem da Du do Blog A moça do sonho, resolvi postar algo sobre Manoel de Barros. Um poeta como poucos, puro, criativo e de extrema sensibilidade.
Nascido em 19 de dezembro de 1916, na cidade de Cuiabá, Mato Grosso. Advogado, fazendeiro e poeta. Filho de um capataz de fazendas da região. Da infância simples de pé no chão ele trás a influência do campo e da natureza em suas obras. Aos 19 anos escreve o seu primeiro poema.

Seu primeiro livro "Poemas concebidos sem pecado" foi publicado no Rio de Janeiro com ajuda de 20 amigos, com uma tiragem de 20 exemplares e mais um para ele. Autor de várias obras premiadas como o "Prêmio Orlando Dantas" em 1960, conferido pela Academia Brasileira de Letras ao livro "Compêndio para Uso dos Pássaros". Em 1969 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pela obra "Gramática Expositiva do Chão" e, em 1997 o "Livro Sobre Nada" recebeu um prêmio de âmbito nacional. Sobre seu trabalho falou uma vez ao jornal "O Estado de São Paulo":

"Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo 'lugar de ser inútil'. Exploro há 60 anos esses mistérios. Descubro memórias fósseis. Osso de urubu, etc. Faço escavações. Entro às 7 horas, saio ao meio-dia. Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Leio a Bíblia, dicionários, às vezes percorro séculos para descobrir o primeiro esgar de uma palavra. E gosto de ouvir e ler "Vozes da Origem". Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem". Está no livro "Vozes da Origem", da antropóloga Betty Mindlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."
Mundo Pequeno
(do livro "O Livro das Ignorãças")

O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.

Passo a passo de como criar uma ONG