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11 abril 2016

Livro "Universo interior", de Victor S. Gomez

Conheça 01 conto do livro "Universo interior", de Victor S. Gomez

O livro "Universo Interior" é formado por contos, aonde são reveladas passagens de uma infância rica e cheia de fantasia, apresentadas por meninos que viveram em uma época em que tudo era possível, até mesmo acreditar que o improvável poderia ser realidade.

O livro nos remete a um passado não muito distante, de cidades interioranas, tranquilas, mas cheias de mistérios; e a um mundo interior que é o nosso interior, com problemas que não são revelados, mas que todos nós temos. 

Um universo interior que pertence a todos, mas que só nós mesmos é que podemos administrá-lo.

Conheça 01 conto do livro "Universo interior", de Victor S. Gomez:

A Caçada e o Sonho
http://www.editorapatua.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=189
Tinha corrido muito, talvez tanto quanto outras vezes, mas pela primeira vez estava experimentando uma sensação diferente. Até ela podia ouvir as batidas do próprio coração. Diante daquela floresta gigantesca, com árvores tão grandes que se perdiam de vista, tentava entender o que estava acontecendo. Devagar ia conseguindo controlar a respiração, que só não a denunciava porque o barulho feito pelos enormes animais daquela floresta era ensurdecedor. Há pouco passara voando por cima de sua cabeça um desses animais, quase do tamanho de um avião e de um verde muito intenso. Buscava na lembrança como tudo isso começou, mas não adiantava. Só conseguia lembrar que estava correndo já fazia um bom tempo e que fugia de uma formiga do tamanho de um rinoceronte. Tentava, também, lembrar quem era, mas não conseguia. Apenas um branco lhe vinha à cabeça. As sensações sentidas pelo corpo pareciam novidade, era como se tivesse correndo daquele jeito pela primeira vez. Até estar de pé e usar as mãos para afastar as plantas que a atrapalhavam o caminho e enxugar o suor, que escorria pela testa, antes de cair nos olhos e embaçar a vista, lhe era estranho. Não tinha a mínima ideia do que se passava. Só sabia de uma coisa: aquilo era uma caçada e ela era a caça. Olhava para trás a todo instante enquanto corria. A fera não estava longe, podia sentir seu cheiro no ar. Era um cheiro meio amargo, assim como ferrugem. Não compreendia como sabia disso. Essa era outra coisa estranha que não entendia. Seus sentidos estavam aguçadíssimos. Talvez por isso a formiga não tivesse conseguido pegá-la depois de tanto tempo de perseguição. Sua pele parecia um radar, todos os movimentos à sua volta eram sentidos, como se seu corpo fosse uma rede que nada deixa escapar. Escondida atrás de uma pedra pensava nessas coisas, quando um estalo a fez correr novamente. Sua perseguidora estava mais perto agora, podia calcular a distância como se usasse uma fita métrica. Sua visão começou a ficar turva e aos poucos foi perdendo os sentidos e todo aquele barulho a sua volta foi silenciando.

De repente acordou sentindo um toque frio em suas antenas e uma mensagem liquida lhe foi passada por outra antena. Analisou a mensagem e respondeu. Percebeu ter tido um sonho estranho. Há algum tempo devia estar dormindo de pé ali no jardim, sobre suas seis patas. Sua companheira se afastou rápido, depois de lhe passar uma mensagem: "Em cima da pia da cozinha tem um pouco de açúcar que o dono da casa deixou cair quando adoçava o café."

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