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10 abril 2014

Entrevista com o Autor do Livro "Universo Interior", Victor S. Gomez

Entrevista completa sobre o meu livro "Universo Interior", feita pelo Jornalista Claudio Alcântara, no Jornal Olho Vivo.

Como foi o processo de criação do livro "Universo interior"? Quanto tempo levou? Foi mais um exercício emocional ou de disciplina e técnica? 

Foi meio uma surpresa para mim escrever esse livro, sempre quis escrever, mas nunca tive coragem de começar, alguma coisa impedia, talvez a insegurança de começar e não saber como terminar. Isso ocorre até hoje comigo, como coloco aí em cima nesse pequeno texto, é como me sinto, meio perdido em um emaranhado de sonhos. Já escrevi textos, logo ao acordar e lembrar de um sonho. O livro "Universo interior" foi escrito em mais ou menos 30 dias. Fiquei um mês inteiro dentro de casa, escrevendo. Ele foi todo escrito a mão, ainda guardo os cadernos, uma confusão imensa de palavras, só eu entendo. Técnica, acredito que não, não tenho uma fórmula, é bastante emocional mesmo, eu mesmo me emociono ainda com alguns contos e até caem algumas lágrimas quando releio alguns contos. 


Ao escrever o livro, qual a sua intenção, o seu objetivo? O que você quer passar para os leitores? 

Procuro escrever o que sinto e o que vejo internamente, é todo um aprendizado, tudo que li vi e vivi. Tudo parte do incentivo que tive do meu pai e minha mãe para a leitura. Das rádio novelas que ouvi todas as manhãs com meu pai, dos livros e revistas que ele me dava. Dos gibis e jornais que lia desde os 11 anos, todos comprados com o dinheiro que minha mãe me dava para pegar ônibus, e eu pegava carona de trem para comprá-los. Eu estudava em Realengo, no Rio, e morava em Madureira, passava por um buraco no muro e não pagava o trem, coisas de criança.

Meus textos não são pré-definidos, não falo de uma árvore, porque quero falar sobre meio ambiente. Mas também não é nada do além. Simplesmente escrevo da memória, das coisas que me lembro, das coisas que vivi com meu irmão, meus filhos, da minha infância, dos lugares por onde passei. Minha intenção maior, eu acho, é passar algo bom, que estimule, que ajude, que incentive a leitura. Que todos que leiam o que escrevo sintam que também é possível para eles escrever. E que devemos sempre tentar tirar algo positivo de qualquer experiência, mesmo das mais difíceis. 

O que foi mais difícil para você ao escrever o livro? Ou todo o processo foi extremamente prazeroso? 

Sinceramente, não tive nenhuma dificuldade em escrever esse livro, pelo contrário, foi bem fácil. Tudo saiu espontaneamente, como se ele já estivesse pronto há muito tempo, e esperasse apenas um gatilho que fosse acionado e liberasse um mar de palavras nas folhas do caderno. Tive muito prazer na hora de escrever, toda vez que terminava um conto, era como um degrau que eu subia. Sorria, chorava em determinados contos, foi muito bom.

É um livro de contos, certo? O que o leitor vai encontrar na sua obra? 

É um livro de contos, realismo fantástico, hiper-realismo, ficção misturado com fantasia, mas dentro de um contexto social, de cidadania e reflexivo.

O livro "Universo interior" é formado por contos, onde são reveladas passagens de uma infância rica e cheia de fantasia, apresentadas por meninos que viveram em uma época em que tudo era possível, até mesmo acreditar que o improvável poderia ser realidade.

O livro nos remete a um passado não muito distante, de cidades interioranas, tranquilas, mas cheias de mistérios; e a um mundo interior que é o nosso interior, com problemas que não são revelados, mas que todos nós temos.

Um universo interior que pertence a todos, mas que só nós mesmos é que podemos administrá-lo. 

Que análise você faz do mercado literário aqui na região, já que você é de Valença? As pessoas estão mais abertas ao trabalho dos autores locais? Ou ainda existe aquele certo preconceito de que não temos bons escritores? 

Bom, só temos uma livraria, mas é a melhor, está em nível de Rio de Janeiro. Falo isso porque conheço várias livrarias do Rio e a daqui chega bem perto das melhores do Rio. Mas muitas coisas têm de ser feitas ainda, a nível de incentivo à leitura, tanto nas escolas, como em casa. Os pais precisam arranjar um tempinho para contar histórias para seus filhos, no futuro eles agradecerão muito, com certeza. Contar histórias preserva nossa cultura, conscientiza e estimula o crescimento pessoal de quem ouve.

Falar sobre preconceito é difícil. Fica muito mais fácil para as pessoas comprarem um livro, ou CD, ou seja lá o que for, que tenha sido divulgado pela maior emissora de TV do país, ou divulgado pelo artista tal dessa emissora, do que comprar o livro de um escritor de uma pequena cidade do interior. Não sei se isso é preconceito. Talvez o outro venha com mais informação, sei lá, pode impressionar mais quando já vem com "grife". 


O que inspira você na hora de escrever? Ou você não depende de inspiração para produzir bons textos? 

Trabalho bastante com imagens, com recordações de minha infância e dos meus filhos. Dependo das imagens para escrever, então elas precisam aparecer, mas quando chegam, só param quando o conto acaba. Escrevo no silêncio, mas também escrevo com música. Encontro imagens escondidas nas notas de uma música. As clássicas e new age são as melhores, me emocionam. Foram escritas por pessoas sensíveis, por isso contêm muita informação boa. 

Publicar um livro se tornou, digamos, não fácil, mas possível para a maioria dos autores independentes. Basta ter o dinheiro para isso. Algumas vezes não há uma preocupação com a qualidade. Que análise você faz desse quadro? 

Não sou de julgar, mas quando se tem dinheiro fica um pouco mais fácil para publicar, quanto à qualidade é o público que tem que decidir. Hoje tem muita editora online, você pode publicar E-book. Eu ainda acredito no livro em papel, a textura e o cheiro me atraem. No meu caso em particular, não gastei nenhum centavo nesse livro. No ano 2000 ele foi aprovado pela Editora Melhoramentos, mas não foi publicado por problemas financeiros da editora na época. Passei um longo tempo com ele parado, ano passado enviei para a Editora Patuá, do Eduardo Lacerda, eles gostaram muito, aprovaram o livro e bancaram tudo: capa, registro, revisão e impressão. A venda dos livros até agora já cobriu esses gastos. A divulgação daqui foi feita por amigos do "Jornal Local", da revista "Lider Plan" e do jornal "Diário do Vale", tudo no 0800. 

Do ponto de vista mercadológico, o trabalho do escritor é valorizado como arte? Como colocar preço em livro? Você é a favor de disponibilizar os livros gratuitamente na internet? 

Depende do escritor e do tipo de literatura. No geral fica complicado, é como jogador de futebol, tem os que ganham fortunas e os assalariados, que são a grande maioria. Para estar entre os bons tem de ser ótimo. O preço do livro é de acordo com o gasto da editora e a quantidade de páginas, eu acho. Custo de impressão, essas coisas eu não sei.

Disponibilizar os livros na internet é uma ideia, mas é de cada um, depende de como o autor vê a sua criação. Bom, o escritor não é como um músico, que coloca sua obra pra download de graça, mas faz shows onde ganha algum dinheiro. O escritor não consegue viver de palestras. 

Quais os autores que contribuíram para a sua formação como escritor? 

Li muito, desde cedo, todos os tipos de livros que se possa imaginar, jornais, gibis, e autores como: Edgar Allan Poe, Franz Kafka, Jean Paul Sartre, Gabriel Garcia Marques, Grahan Grenn, Eduardo Galeano e os brasileiros Rubem Braga, Fernando Sabino, Josué Montello e o mago do realismo fantástico, José J. Veiga

Em que gênero você se sente mais à vontade ao escrever, nos contos? Já testou outros? 

Os contos são onde me sinto melhor. Já tentei estender um conto, tentando fazer dele um romance, mas não fui adiante. 

Quais os momentos mais marcantes na sua trajetória? 

Com certeza a publicação e o lançamento do meu livro. Marca um ciclo, é uma realização pessoal muito grande, é o sonho maior de todo escritor. 

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