As melhores peças para seu carro podem ser encontradas aqui

Http://www.Motordoctor.PT

28 dezembro 2013

Moradores de Rua são Treinados como Guia em Praga

Guest Post da amiga Jornalista e Radialista Roberta Clarissa Leite, que vive em Praga, na República Tcheca.

Um projeto audacioso marcou as notícias em 2013 na capital da República Tcheca, Praga. A bela cidade conhecida como Cidade de Ouro ou das Cem Torres recebe cerca de 5 milhões de turistas por ano. Um grupo de estudantes universitários trabalhou em um projeto de socialização para treinar moradores de ruas como guias de turismo.

Apesar de estarmos falando em um país europeu, é possível ver adultos catando lixo ou procurando comida nos latões. Países como Itália, França, Espanha já mostraram ao mundo que a crise da União Europeia mudou certas condições que antes eram inimagináveis no Velho Continente. É certo que na República Tcheca não existe criminalidade urbana, não há ataques de ladrões com arma, você pode tranquilamente andar a qualquer hora da noite ou do dia sem perigo. Não existem crianças pedintes, não existem favelas. É um destino fantástico de encher os olhos, como eu escrevo no meu texto sobre a famosa capital Praga no site seguroviagem.

Então como explicar moradores de ruas? A crise existe e quem mora na Europa pode notar a diferença, é só comparar como era há 5 anos atrás.


Pessoas que geralmente tem problemas com álcool ou drogas perdem o controle da vida social e saem de casa. Esses indivíduos passam a andar pelo centro, sentam em alguma parte da cidade e pedem dinheiro. Não chegam até você, ficam parados com o copo na mão. Geralmente homens na faixa de 35 a 60 anos. Há alguns órgãos financiados pelo governo que oferecem alimentos e vestuário. No inverno,  com temperatura que chega até os 15° negativos, é impossível ficar parado nas ruas por muito tempo, há abrigos onde eles podem tomar banho e dormir agasalhados.

O projeto Pragulic, como funciona?

O projeto foi nomeado de Pragulic, uma mistura das palavras  “Praga e rua”(ulice, em tcheco), criado por estudantes da Faculdade de Estudos Humanitários de Praga. Mas esses guias não levam os turistas para os tradicionais locais em Praga, para isso há guias treinados e com licença de trabalho, devendo falar fluente o tcheco(no caso de estrangeiro) e ter algum curso ligado à área. Eles tem outro roteiro. Levam pessoas curiosas para partes da cidade fora do eixo turístico, para ruas onde moraram, contam histórias de vida, de aventura, contam a trajetória deles.

A co-fundadora do projeto Tereza Jurecková revela em entrevista que o tícket para o passeio custa cerca de 10 dólares, metade vai para o guia e a outra metade é investida no treinamento deles. 

A finalidade é mostrar que essas pessoas, alguns deles com cursos e especializações, podem fazer algo produtivo se tiverem a chance. O projeto não mudará a situação deles totalmente mas ajudará a sociedade a enxerga-los. 

Histórias reais contadas pelos guias

Em entrevista dada à Radio Praga, um dos moradores de rua chamado  José explica como veio parar nas ruas.  Ele é um dos que já recebeu o treinamento. O seu pai era universitário e veio para a antiga Tchescolováquia como estudante do Peru. José  afirma que foi preso em um protesto ante-regime em 1987, quando o país era comunista, e foi sentenciado há 8 anos de trabalhos forçados. 

Histórias como essa e outras são o roteiro para os passeios não convencionais. Como a língua falada é tcheca,  geralmente quem experimenta são tchecos praguenses ou de outras cidades. Muitos estudantes de cursos ligados à ajuda humanitária e estudos sociais.

O projeto ganhou muita visibilidade na imprensa local,  não só por ser pioneiro na região, mas por evocar a discussão de problemas que existem e que são deixados em baixo do tapete.  Também ganhou a votação máxima no país para competir como um dos 5 projetos para o prêmio Social Impact Award. Essa premiação existe desde de 2009 e é  organizada pela Universidade de Economia e Negócios de Viena, que revela projetos que oferecem soluções para problemas sociais ao redor do mundo. 

Com prêmio ou não, a atitude desses três estudantes revela um olhar diferenciado para uma sociedade em mudança. Traz à tona um problema que se não tratado no começo, passa ser a realidade social de muitos países.

Por Roberta Clarissa Leite.

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Caso tenha gostado do que encontrou aqui, comente o artigo que acabou de ler.

Passo a passo de como criar uma ONG