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14 agosto 2012

A Pedra Polida

Um conto de Victor S. Gomez


Timborã perdera bastante tempo cavando aquele buraco, acho que metade do dia já tinha se ido. O chão duro e seco fazia com que todo o esforço fosse redobrado e o barulho da pá ao se chocar contra o solo era quase o de metal contra pedra. Aquela dureza toda talvez fosse resultado de anos de seca. Há muito não chovia em El Dourado e com certeza não choveria tão cedo. Aos onze anos de idade nunca vira uma gota de chuva, nem sabia como era, só imaginava. Quando os antigos contavam sobre os temporais do passado, pensava em baldes de água sendo jogados por mãos gigantescas sobre a aldeia. Também nunca vira os campos inundados e as colheitas fartas. Carros e mais carros de boi carregados de sacos de arroz, para serem trocados por outros produtos com aldeias vizinhas, eram como pinturas em sua mente. Enquanto os antigos falavam, imaginava como seria aquela fileira de carros de boi, cruzando o vale do Manto Verde e se perdendo de vista rumo às aldeias vizinhas. Hoje no vale do Manto Verde as poucas árvores restantes, talvez mantenham um pouco do verde por causa do sereno da madrugada, ou quem sabe para que o vale não perca definitivamente seu nome. Depois de tirar a última pá de terra, saiu com dificuldade do buraco que tinha mais de três vezes o seu tamanho. Tinha cavado esse imenso buraco, bem ao lado da pedra polida, no centro da aldeia, para ficar mais fácil na hora de enterrar aquela história de final infeliz.


Esse texto está registrado na Biblioteca Nacional.

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Aviso: A cópia de qualquer texto sem autorização expressa do autor constitui crime de violação de direito autoral, conforme o art.184 do código penal cominado com a lei nº 9610 de 19 de fevereiro de 1998.

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