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30 agosto 2010

Empreendedor Social

Entrevista dada ao estudante de Jornalismo da Universidade Estácio de Sá, George Assunção , pelo Empreendedor Social Victor S. Gomez.

George Assunção: Gostaria de saber da sua experiência no terceiro setor. Qual a sua atuação? A sua experiência? Em que área atua? E Por que atua no terceiro setor?

Victor S. Gomez: Comecei meu trabalho no Terceiro Setor como Educador social, pela a Prefeitura do Rio de Janeiro, como terceirizado, em abrigo para crianças e adolescentes em situação de risco social. Além de atendermos crianças de comunidades carentes e crianças que viviam na rua, recebíamos também crianças e adolescentes de 2ª vara (tempos atrás chamados de menor infrator). É um trabalho muito difícil, pois as condições são precárias, e o educador fica entregue a própria sorte, pois a prefeitura apenas está preocupada com números, estatísticas e não com a melhora dessas crianças. Houve caso de até termos de comprar material com nosso próprio dinheiro, nesse caso o sabão em pó que a prefeitura comprava não fazia espuma, por isso eu comprava sabão OMO com meu dinheiro. Trabalhei também com um projeto do Comunidade Solidária (Projeto do Governo Federal), ai já era uma coisa particular, éramos um grupo de 6 pessoas que queríamos fazer algo e resolvemos por a mão na massa. O projeto atendia jovens de Paciência e jovens de uma instituição de recuperação de drogados. O trabalho consistia de curso de horticultura, minhocultura, alem de passeios culturais, visitas a museus, hortos, etc.
Foi só em 2002 que tive a idéia de fundar uma ONG, sentíamos a necessidade uma biblioteca em Seropédica, lugar onde eu morava na época, um município recém emancipado, onde faltava tudo. Novamente consegui juntar um grupo de seis pessoas, mais ou menos com os mesmos objetivos e fundei o CADECS – Centro de Assessoria e Desenvolvimento Cultural e Social. Percorremos um longo caminho e após legalizarmos a instituição, começamos a entrar em contato com empresas e outras ONGs, buscando parcerias. O trabalho foi difícil, mas após alguns meses, conseguimos uma casa em comodato com a paróquia Maria mãe da Igreja e demos inicio aos trabalhos. Montei um curso de informática, com dez computadores, em parceria com o CDI – Comitê para Democratização da Informática, uma biblioteca comunitária com cerca de três mil volumes e formamos um grupo de teatro que levava o incentivo a leitura nas escolas do município. Depois de dois anos tivemos problemas internos e fundei o CECI – Centro Cultural Criança Cidadã, mantendo funcionando todos os projetos anteriores. No auge desse trabalho, atendíamos uma média de 70 a 80 crianças por dia com nosso trabalho. Por volta de 2005 me afastei da instituição por problemas pessoais e no final de 2007 me mudei para Valença. Agora estamos fundando uma instituição, que trabalha com meio ambiente. Projeto SOS Serra dos Mascates, projeto de preservação ambiental e recuperação da Serra dos Mascates - Valença – RJ.
Quero deixar bem claro que todos os trabalhos que fiz nas instituições que fundei, foram feitos como voluntário, nunca recebi nada por eles. Acho que o que mais me remunera é saber que estou ajudando jovens, que poderiam estar na ociosidade, a elevar sua auto-estima, ajudando-os a obter novas perspectivas, abrir novos caminhos, dar oportunidade de escolha, essa é a minha função. Nada mais compensador e gratificante, do que encontrar esses jovens mais adiante, na faculdade ou no mercado de trabalho, e ser reconhecido por eles.

George Assunção: A burocracia que existe para se abrir uma ONG é importante para estruturar e embasar melhor o seu funcionamento e evitar aventuras ou acaba prejudicando e deixando as organizações da sociedade civil na informalidade? Seria melhor um processo menos burocrático ou não?

Victor S. Gomez: A burocracia que em determinados momentos atrapalha e em alguns casos emperra, em outros se faz necessária. Vejo com algo que filtra, dificultar nesse caso é melhor, para que menos aventureiros tentem se aproveitar. Claro que não impede que muitas ONGs sejam de fachada, lavagem de dinheiro, mas não se pode generalizar, colocar tudo num saco de gatos, tem de separar. Como existem maus políticos, existem também os bons políticos. Conheço muitas instituições, que realmente seus dirigentes são extremamente altruístas e sérios. Fazem seu trabalho com dedicação, verdadeiros abnegados, que quase nada ganham, pelo contrário, se esforçam ao máximo, muitas vezes gastando do próprio bolso.

George Assunção: Qual a sua opinião sobre ONGs que surgem de iniciativas de uma só pessoa e não de uma mobilização ou um grupo de pessoas?

Victor S. Gomez: As lideranças são necessárias, todas as ONGs nascem de lideranças. Para que uma idéia se concretize tem de haver liderança. O líder natural é importante, se você tem uma idéia e você não é um líder, você procura um para tocar o projeto com você. Falo por experiência própria, eu não sou líder, mas sempre toquei meus projetos na área social. Sempre busquei na comunidade pessoas com perfil de liderança para me auxiliar nesses projetos. A comunidade é essencial, lá estão os grandes lideres naturais.

George Assunção: Você conhece projetos sociais e ONG que tiveram de fechar por não conseguir se adequar a lei ou que foi aberta num momento de empolgação, mas que não resistiu ao tempo e a necessidade de estruturação?

Victor S. Gomez: Se não se adéquam a lei muitas nem chegam a abrir e as que infringem a lei e são identificadas mais tarde, também fecham. Todas as ONGs são abertas com empolgação, algumas com objetivos sérios, outras nem tanto. Acho que os lideres dessas instituições deveriam se capacitar mais, eu me capacitei pelo caminho, foi uma opção, hoje acho que não foi a opção mais correta. Com preparação você supera os obstáculos com mais facilidade.

George Assunção: Que tipo de assessoria é necessária para se abrir uma ONG?

Victor S. Gomez: Vários profissionais são necessários para que uma ONG funcione corretamente. No início um advogado é necessário para assinar o estatuto. Um contador também é muito importante, caso a ONG não tenha dinheiro para pagar um, tente buscar na comunidade alguém que se afine com a proposta da ONG e ajude como voluntário.

George Assunção: É correto que ONGs procurem captar verba com os governos ou deveriam trabalhar somente com patrocínio e ajuda da sociedade civil e dos seus associados?

Victor S. Gomez: No meu blog www.victorsgomez.com, publiquei esse post:

Como Captar Recursos
“A busca por recursos é uma das coisas que mais preocupam os dirigentes de instituições. Conseguir boas parcerias, não depende somente de projetos bem redigidos e bem direcionados. Devo esclarecer primeiro, que várias ONGs sobrevivem sem amparo de grandes empresas. Existem várias formas de conseguir ajuda para dar continuidade ao trabalho de uma instituição. Nesse momento é que se vê como as pequenas parcerias e o apoio da comunidade, são fundamentais para dar prosseguimento ao trabalho realizado. Muitos pequenos comerciantes da região, onde está localizada sua ONG, devem estar interessados em ajudar, falta apenas uma boa conversa. Ter um projeto já pronto, fundamentado em bases solidas, pode ser a melhor forma de conquistar apoio. Não espere que o dinheiro entre sem ter o que mostrar. Crie um projeto de incentivo a leitura, um grupo de dança, ou um projeto de complementação escolar. São exemplos simples, mas que dão resultado. Depois procure os comerciantes da área e convide-os para visitar sua instituição. É um bom começo. Outras formas de conseguir ajuda é organizar um bingo, um jantar dançante ou uma rifa. Várias idéias podem surgir, principalmente se você reunir o grupo que trabalha com você e discutir novas propostas. Podem ser feitos também projetos de geração de renda. Montar um projeto de um curso de artesanato pode ser uma boa idéia, pois mais adiante os produtos podem ser comercializados e a renda dividida entre os alunos e a instituição. Mesmo as grandes empresas, quando apóiam uma instituição é por que já viram o trabalho da ONG já iniciado. Outras só aceitam inscrições de projetos, que já estejam em andamento e obtendo resultados. Por isso trabalhe e procure pessoas qualificadas, para redigir seu projeto. Tente encontrar entre os voluntários da sua instituição, aquele que tenha perfil para trabalhar como assessor de projetos. No CECI, eu trabalhava com mais uma pessoa, tínhamos um bom entrosamento e quando conversávamos com alguma empresa, o que um não sabia outro complementava. Caso não consiga, tente encontrar no Portal do voluntário, alguém que esteja mais familiarizado com essa área e queira ajudar. Finalmente, se não achar ninguém, ainda existe a possibilidade de se conseguir parceria com pessoas trabalhem com Assessoria de Projetos. Procurar na internet pode ser outra opção, várias firmas ou particulares trabalham com assessoria; e melhor, já conhecem os caminhos.” Trabalhar com o governo é interessante, mas ai, a ONG tem de optar se quer ser OSCIP ou não. Optando a diretoria não poderá ser remunerada e esse ponto deverá estar no estatuto.

George Assunção: Como separar a pilantropia da filantropia?

Victor S. Gomez: Acho que já comentei alguma coisa sobre isso mais acima. Penso que uma fiscalização mais intensa se faz necessária, mas sem tentar atrapalhar que os movimentos sociais abram suas ONGs. Tem de separar o joio do trigo, muitas ONGs sérias passam dificuldade, enquanto outras arranjam dinheiro a rodo e não fazem nada.

George Assunção: Gostaria de saber como é a sua experiência e a sua atuação no terceiro setor. Que dificulda-des você encontra? O que poderia ser feito para ajudar as ONGs a se estruturarem e atuarem de forma mais profissional e organizada?

Victor S. Gomez: Também acho que já falei sobre isso, mas vai aqui outra informação. Capacite-se o máximo que você puder só assim você conseguira se profissionalizar.

George Assunção: Por fim, que conselho você daria para grupos que pensam em abrir uma ONG?

Victor S. Gomez: Leve sempre esse trabalho a sério, seja o mais profissional possível. A organização é tudo. Aja sempre com amor, se dedique ao máximo, e você terá sucesso. Outra coisa importante, nunca deixe de lado a comunidade, ela sempre será o seu maior aliado. E finalmente, trabalhe, trabalhe e trabalhe.

3 comentários :

  1. Parabéns pela entrevista, eu acho que para começar uma ong apenas força de vontade infelizmente não ajuda, você precisa buscar pessoas que te ajudem e que queiram o mesmo objetivo que você também, faça com amor.

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  2. Victor,

    Sou novata em relação a projetos para ajudar a sociedade e não sei se você pode me ajudar a como desenvolver projetos para adolescente grávidas, na cidade aonde moro.

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  3. fala meu amigo, que saudade entra em contato.
    facebook-williamsgomes2008@hotmail.com

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Passo a passo de como criar uma ONG