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14 janeiro 2009

Manoel de Barros

Esse post é do blog Deslimites do Ser, da amiga Raquel Mendonça. Um grande beijo para você e para o meu amigo Freed Bening.
Manoel de Barros é tudo de bom e mais um pouco, é a simplicidade que eu gostaria de ser.

"Eu tinha vontade de fazer como os dois homens que vi sentados na terra escovando osso. No começo achei que aqueles homens não batiam bem. Porque ficavam sentados na terra o dia inteiro escovando osso. Depois aprendi que aqueles homens eram arqueólogos. E que eles faziam o serviço de escovar o osso por amor. E que eles queriam encontrar nos ossos vestígios de antigas civilizações que estariam enterrados por séculos naquele chão. Logo pensei de escovar palavras. Porque eu havia lido em algum lugar que as palavras eram conchas de clamores antigos. Eu queria ir atrás dos clamores antigos que estariam guardados dentro das palavras. Eu já sabia também que as palavras possuem no corpo muitas oralidades remontadas e muitas significâncias remontadas. Eu queria então escovar as palavras para escutar o primeiro esgar de cada uma. Para escutar os primeiros sons, mesmo que ainda bígrafos. Comecei a fazer isso sentado em minha escrivaninha. Passava horas inteiras, dias inteiros fechados no quarto, trancado, a escovar palavras. Logo a turma perguntou: o que eu fazia o dia inteiro trancado naquele quarto? Eu respondi a eles, meio entresonhado, que eu estava escovando palavras. Eles acharam que eu não batia bem. Então eu joguei a escova fora."

Manoel de Barros

4 comentários :

  1. Sinceramente, amigo, não gosto da prosa de Manoel de Barros. Mas você faz bem em divulagar, pois as opiniões variam.
    Vítor:
    Fiz um post digno do Galeria. Vc pode ir nos outros Blogs depois, mas vá primeiro ao Galeria.
    Um abraço,
    Renata

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  2. eu sei que nao sei escrever/eu sei que nao sei ler/eu sei que jamais vou aprender o que nao quero aprender/eu não quero ser um intelectual/ eu quero que todos eles seja felizes/escrevo contrasensos por nao saber escrever vitor/nao entendo ou nao quero entender? oralidades remontadas ou um soldado...nada mais que um reles soldado.

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  3. Obrigada pelo texto Victor.

    E como diria Manoel:

    A poesia está guardada nas palavras
    É tudo que eu sei
    Meu fardo é não entender quase tudo
    Sobre o nada eu tenho profundidades
    Eu não cultivo conexões com o real
    Para mim poderoso não é aquele que descobre o ouro
    Poderoso pra mim é aquele que descobre as insignificâncias do mundo e as
    nossas
    Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil
    Fiquei emocionado e chorei
    Sou fraco para elogios.

    Para enxergar as coisas sem feitio, é preciso não saber nada.
    É preciso entrar em estado de árvore.
    É preciso entrar em estado de palavra.
    Só quem está em estado de palavra pode enxergar as coisas sem feitio.

    Manoel de Barros

    Um grande abraço meu amigo.

    Raquel Mendonça

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  4. Valeu Victor, to na area novamente.
    Grande e Forte abraço

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