As melhores peças para seu carro podem ser encontradas aqui

Http://www.Motordoctor.PT

16 outubro 2008

Escolas Literárias

Esse post é uma parceria com o Projeto Livros Para Todos. Quer saber mais, visite: www.livrosparatodos.net

Barroco (Século XVII)

Este poema (soneto) foi escrito no final do século XVII pelo poeta Gregório de Matos e Guerra. O título é comprido: Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol a Inconstância dos Bens do Mundo e, genericamente, mostra a forma e a temática do Barroco.

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acabar o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas, no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pelo ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Este poema é barroco. Por quê? O poeta utiliza-se da antítese para expressar (ou tematizar) que tudo na vida e na Natureza é passageiro, é transitório, é efêmero. Essa expressão é acompanhada de uma angústia existencial que se faz presente por ele constatar o ministério da marca inexorável do tempo. O Barroco, como estilo literário, predominou no Brasil na segunda metade do século XVII (1601-1700) e foi fortemente influenciado pela religiosidade da época. Essa religiosidade resultara dos dogmas e dos valores estabelecidos pelo Concílio de Trento (1545-1563). Foram os padres jesuítas que divulgaram o pensamento do referido concílio. Ora, como o Brasil colonial foi educado pelos jesuítas, seria evidente que os escritores da época expressassem, nos seus contextos, a idéia religiosa dominante: a transitoriedade da vida.

Os textos barrocos apresentam algumas características formais, como as apresentadas a seguir:

Antítese:

Os vivos são pó levantados; os mortos são pó caído.

Padre Antônio Vieira

Paradoxo:

O mal que consome me sustenta,
O bem que me entretém me dá cuidado.

Gregório de Matos e Guerra

Verso Invertido:

Se a ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História.

Gregório de Matos e Guerra

Versos interrogativos:

Que amor sigo? Que busco? Que desejo?
Que enleio é ese vão de fantasia?

Gregório de Matos e Guerra

Símbolos e metáforas:

É a verdade, Fábio, nesta vida,
Rosa que manhã lisonjeada
Púrpuras mil com ambição doirada,
Airosa rompe, arrasta presumida.

Gregório de Matos e Guerra

Cultismo:

Ofendi-vos, meu Deus, bem é verdade,
É verdade, meu Deus, que hei delinqüido,
Delinqüido vos tenho e ofendido,
Ofendido vos tem minha maldade.

Gregório de Matos e Guerra

Observação: O cultismo era, na época, uma tendência de o poeta expressar-se ludicamente, isto é, fazer jogo de palavras e trocadilhos

Conceptismo:
Que Demócrito não risse, eu o provo; Demócrito ria sempre. Logo, nunca ria. A conseqüência parece difícil e é evidente. O riso, como dizem os filósofos, nasce da novidade ou admiração e, cessando a novidade e a admiração, cessa também o riso; e como Demócrito se ria dos ordinários desconcertos do mundo, e o que é ordinário e se vê sempre não pode causar nem admiração nem novidade, segue-se que nunca ria, rindo sempre, pois não havia matéria que motivasse o riso.

Padre Antônio Vieira

2 comentários :

Caso tenha gostado do que encontrou aqui, comente o artigo que acabou de ler.

Passo a passo de como criar uma ONG