Quando escreveu esta carta, endereçada ao Presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Pierce, em 1845; o chefe Seatle da tribo dos Duwamish, nunca imaginaria que ela se tornaria atual até os dias de hoje. Um dos mais belos e magníficos discursos em defesa do meio ambiente já escrito, a carta, era uma resposta a oferta feita pelo Presidente Franklin Pierce, para compra das terras dos Duwamish, oferecendo em troca uma nova reserva. Os índios Duwamish habitavam a região onde hoje se encontra o Estado americano Washington , no extremo Noroeste dos Estados Unidos, divisa com o Canadá, logo acima dos Estados de Montana, Idaho e Oregon e era considerado um paraíso na terra. A carta original encontra-se na "University of Washington Special Collection".
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. Não há lugar quieto na cidade do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar das flores na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o canto solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo.
O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio verão limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros. O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Como um homem agonizante há vários dias, o homem branco é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro aspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados. Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais dessa terra como irmãos. Sou um selvagem e não compreendo outra forma de agir. Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecermos vivos. O que é os homens sem os animais? Se todos os animais se fossem, os homens morreriam de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontecerá com o homem. Há uma ligação em tudo. Vocês devem ensinar as suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avôs. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer a terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Isto sabemos: a terra não pertence ao homem, o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisa estão ligadas como o sangue que une a família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra.
O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la, é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídos por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a águia? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência. "Esse post foi publicado no blog do Fred Benning.








9 comentários:
Post muito interessante.
Devido a problemas de foro íntimo, não sei quando poderei postar, por isso postei hoje. Apareça.
Um abraço,
Renata
wwwrenatacordeiro.blogspot.com
Eis o que encontro aqui, cultura literária poética base que eu preciso. Obrigado amigo. Abraço
Nossa, Vitor. Que surpresa agradável este blog.
O texto deste post me emocionou muito.
Beijos. Obrigada pela visita.
Oi Vitor, vim agradecer a visita e o comentário simpático que você deixou no ESSAPALAVRA.
Lindo encontrar este espaço de arte comprometido com causas sociais.
Quando sentir saudades volte às terras capixabas.
...esta carta é emocionante e rica em sensibilidade de um povo que nem 'cultura' conhecia...mas detinham o saber na sua mais pura essência...
emociono-me a cada vez que vejo-a editada nas páginas de bom conteúdo
assim como aqui na sua casa...
obrigada por relembrá-la.
bjs
Victor,
já conhecia a Carta de Seatle, mas hoje resolvi relê-la. É um texto tremendamente inspirador, e mostra a sabedoria pele vermelha, e uma humildade sem igual.
Resolvi repostar no Blog do Varejo no diHITT, linkando ao seu blog e outro, de onde copiei o texto completo.
Parabéns pelo trabalho,
Eduardo Buys www.varejototal.zip.net
É sempre bom reler este texto. Embora a cada releitura aumente a tristeza pelo que nós produzimos desencantando o mundo.
Valeu victor,esse é um texto que me emociona há 40 anos.
Divulgá-lo é imprescindivel.
Gostei muito da montagem...Fotos,textos etc...
Grande abraço meu irmão!
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