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22 setembro 2008

Literatura: Mayakovsky

Foi assim que conheci Mayakovski. Um amigo, o Juca, já tinha me falado dele nos anos 70, mas naquela época eu não era muito interessado em poesia. Estava começando a trabalhar com teatro resistência e fazia apresentações nas favelas da periferia do Rio de Janeiro. Não tinha tempo para apreciar as coisas boas da vida. E Maiakovisk era uma delas. Só nos anos 80, quando ouvi Gal cantando "amor", com música de Caetano Veloso, é que percebi a beleza, a força e a consistência dos poemas do Bolchevique Vladimir Vladimirovich Mayakovsky .

Gal Costa
O Amor (Sobre O Poema De Wladimir Mayakovski)

Talvez quem sabe um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
Eles a ressuscitarão
O Século Trinta vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo o que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Por que sou poeta
E ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais existam
Amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se
Por uma casa, um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai seja pelo menos o universo
E a mãe seja no mínimo a Terra
A Terra, a Terra

Eu

Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneo de frases ásperas
Onde
forcas
esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres
oblíquas

soluçando eu avanço por vias que se encruzilham
à vista
de crucifixos

polícias

(tradução: Augusto de Campos)

Nascido na Geórgia, Rússia, socialista, ingressou no Partido Social-Democrático Operário Russo aos quinze anos. Com David Burliuk e mais alguns amigos fundaram o cubo-futurismo. Depois da revolução socialista de Outubro, mostrou solidariedade ao novo regime. Viajou pela Europa Ocidental, México e Estados Unidos e em turnê por seu país lotava os auditórios onde declamava suas poesias. Sempre se chocou com os “burocratas’’ que pretendiam reduzir a poesia a fórmulas simplistas. Morreu em 1930 com um tiro dado por ele mesmo.

3 comentários :

  1. Já o li mutio, quando tinha meus 19, 20 anos, e gosto muito do que ele escreveu. Nessa ânsia que toma conta de mim, sem ter notícias do meu irmão que está sendo operado há seis horas, tive tempo para fazer mais um post e duvido que vc tenha visto o filme (é da época em que eu lia Maiakóvski). Apareça.
    Um abraço,
    Renata
    wwwrenatacordeiro.blogspot.com

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  2. Olá, Victor!

    Obrigada pela visita ao meu blog e pelos elogios. Gostei muito do teu também e adorei saber que compartilhamos gostos por belos versos... Viva Maiakovski!

    ALGUM DIA VOCÊ PODERIA? (1913)

    Manchei o mapa quotidiano
    jogando-lhe a tinta de um frasco
    e mostrei oblíquoas num prato
    as maçãs do rosto do oceano.

    Nas escamas de um peixe de estanho,
    li lábios novos chamando.

    E você? Poderia
    algum dia
    por seu turno tocar um noturno
    louco na flauta dos esgotos?

    (Tradução de Haroldo de Campos)

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  3. A poesia, na minha opinião é tudo de bom, mas depende do dia de lê-las. Mais ou menos como se ela estivesse atrelada com o meu bom humor.

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